DO CÉREBRO À CONSCIÊNCIA

Esta é uma "Crônica Histórica", ou seja, uma história real, em que reproduzimos uma palestra do Doutor Steven Laureys, PhD, diretor do Hospital Universitário da Universidade de Liège, na Bélgica. É também professor clínico de neurologia. Sua palestra é falada em inglês (vejam o vídeo), mas, para qualquer dificuldade, apresentamos aqui, a sua tradução.
O Dr. Steven Laureys, é autor de um livro intitulado "The Neurology of Consciousness" (A neurologia da Consciência). Este livro é encontrado no idioma inglês; parece que ainda não há uma edição em português. Vamos pois, à palestra: "From Brain to Consciousness" (Do Cérebro à Consciência).
Bem,
Isto é um "B", de Belgian Brains (Cérebros Belgas)
Assim, o que pode contar-nos a ciência sobre a consciência?
"Nada", dirão alguns dos meus colegas.
Não sabemos o que é. Não podemos defini-la. Vamos deixa-la em paz.
Não estou nada de acordo.
Creio que a Ciência pode e deve estudar a consciência.
Eu gostaria de compartilhar com vocês, algumas das dificuldades de quantificar a consciência.
Se supõe que, como neurologista, sei o que digo, quando vejo um paciente, e concluo que está em coma, inconsciente ou recuperando a consciência.
Como fazemos isso?
Eu gostaria de fazer um pequeno experimento. Vocês vão ser os pacientes.
A primeira coisa que vamos fazer, é reduzir a complexidade da consciência ao seu primeiro componente: o nível da consciência.
É bastante fácil, marcarei uma pontuação enquanto estão acordados e têm seus olhos completamente abertos. Está bem? Alguns estão cochilando (bate palmas). Eu os estimulo porque estar acordado é necessário, mas, como veremos, não suficiente para estar alerta. Estejam alertas.
Vou usar um significado levemente diferente ao nosso mais famoso filósofo belga, Jean Claude Van Dame (risos). "Músculos de Bruxelas". Me refiro a estar alerta a estímulos externos: tudo o que vêm, sentem e escutam agora. Isto vai através dos sentidos. Além disso existe uma luz interna, essa pequena voz que nos fala quando pensamos sobre o futuro, o passado, alerta interno.
E quantificar o conteúdo da consciência é mais complicado. Deixe-me avaliar seu nível de alerta. Lhes farei uma pergunta: Comprovem se há uma resposta a uma simples pergunta como: "Cada um de vocês, levante a mão direita!" OK, muitos o fizeram. Alguns de vocês não. Não tenho certeza que possamos concluir que os que não o fizeram não estão alerta.
Penso que é muito importante enfatizar isso. O que fazemos, como médicos, tratando de quantificar o nível de alerta, é observar as respostas motoras.
Nossos pacientes em coma estão frequentemente, paralisados. Portanto, um paciente em coma, por definição, não podem acordar. Nunca abrirá os olhos, inclusive se os estimulamos, portanto se considera que não está alerta.
O estado de coma só durará alguns dias ou algumas semanas. Alguns pacientes mostrarão uma estranha dissociação entre estar acordados e estar alertas. Eles acordarão, - olhos completamente abertos - se movem e respiram espontaneamente, mas quando todos os movimentos se considera reflexos podemos dizer que são involuntários.
Estão acordados mas não alerta. Isto é muito pouco frequente. Não estamos acostumados a ver as pessoas com os olhos abertos, mas inconscientes. O maior desafio para nós é identificar o mais depressa possível esses mínimos sinais de consciência.
Podem ser mínimos. E pode ser que os detectamos agora e desapareçam dentro de algumas horas. Isto é um problema. Esses pacientes, com desordens crônicas de consciência em coma, podem permanecer nesse estado sem possibilidade de comunicação durante anos, décadas.
Temo que a medicina e a sociedade têm apresentado resistência a estes problemas da medicina moderna. Assim, deixe-ma compartilhar três realidades clínicas, realidades extraordinárias. A primeira é, que esses pacientes trazem um dano cerebral importante como um trauma ou uma parada cardíaca, estão em um coma que evolui em morte cerebral. Isso é quando cessa toda a função cerebral.

Aqui é importante usar estas novas tecnologias. Estão vendo uma imagem, onde injetamos açúcar, glicose marcada radioativamente. Esta vai ao cérebro, que usa muita energia. Assim, em seu cérebro agora, espero, haverá muita atividade na matéria cinza; em seu córtex. Esses milhares de milhões de neurônios em vermelho e amarelo, usam muito açúcar. Na morte cerebral vemos o sinal do crânio vazio. Somente a pele que rodeia o crânio está usando algo de energia, mas não esses milhares de milhões de neurônios.

Aqui podem doar seus órgãos de forma segura. Porque, se temos certeza científica de que há vida após a morte, se chama "doação de órgãos". E é muito importante (aplausos). É muito importante : os médicos são muito transparentes sobre isto.
Não estamos acostumados a ver alguém em cuidados intensivos, o coração batendo, estão quentes, respirando na máquina, e quando o cérebro está morto. Creio que é uma importante e extraordinária realidade clínica. Outra que eu gostaria de mencionar brevemente é a dos pacientes que se recuperam do coma.
Nos dirão, após passar por ele, que tiveram experiências extraordinárias: deixaram seu corpo, viram uma luz e seus familiares, se sentiram bem: experiências em torno da morte.
Novamente a ciência e a medicina têm ignorado esta realidade durante muito tempo. Tenho um pedido para quem já teve uma experiência a respeito da morte ou que saiba de alguém que já teve, por favor, entre em contato conosco, porque creio que a ciência deve estudar estes fenômenos cientificamente.
A terceira realidade clínica e extraordinária é na verdade esses pacientes que sobreviveram todo o coma acordados mas sem estar alerta. Estes pacientes chamados vegetativos - despertos, mas não respondem - onde com estes scanners do cérebro, como se pode observar, podemos mostrar que há uma atividade cerebral normal.
Está todo em azul. Menos da metade dos valores que vemos em um estado normal da consciência. Um dos descobrimentos mais importantes que fomos capazes, naqueles pacientes que saíram do estado vegetativo, de fazer o estudo novamente. O que observamos é que recuperaram a atividade normal completamente.
Somente em partes específicas do cérebro. Em outras palavras, não se necessita de todo o cérebro para estar alerta. Creio que é muito importante: ser capaz de identificar a rede neural crítica. Como se vê aqui é somente uma pequena região da consciência.
É uma rede marcada em vermelho, a rede de percepção externa, em ambos os lados, pela frente e por trás. E em azul, a linha média, novamente por diante e por trás, esta rede de percepção interna importante para ter estas discussões consigo mesmo. As flechas estão aí para mostrar como é importante que estas redes se comuniquem entre elas que se interajam consigo mesmas e entre elas.
Se poderia dizer: "Por que isso é importante?" Na minha opinião, por 3 razões. A primeira, é importante se um paciente está completamente inconsciente ou se há algo de consciência. Por exemplo, no tratamento da dor.
De novo, podemos usar estas novas máquinas, novas ferramentas de imagem, para ver o que acontece no cérebro quando se sente dor. Não é um pequeno ponto. É uma rede, como se vê nestes cérebros transparentes:
Quando vemos a morte cerebral não há nenhuma atividade. Sem cérebro não há dor. Os pacientes que sobrevivem do coma desenvolvem essa estranha dissociação de estado vegetativo estando acordados, mas não alerta. Terão ativo o tronco cerebral. Está localizado no interior. É importante estar acordado.
E também se observa algo no seu córtex. Porém este é o córtex sensorial. É um sistema escravo. Está ilhado, desconectado da rede de alerta, assim não é suficiente para ter uma experiência consciente. Creio que é muito importante que observando estes pacientes com pequenos sinais de consciência - como seguir com a vista ou responder a uma ordem - a rede responsável da dor aparecia ativada.
Em outras palavras esses pacientes não podem comunicar que sentem dor, mas os scanners do cérebro mostram que deveríamos tratar-lhe a dor sistematicamente. Isto me leva ao seguinte problema importante, que é tentar dar voz a estes pacientes, tentando usar estas tecnologias para estabelecer uma comunicação.
Esta é uma imagem do primeiro paciente do mundo no qual pudemos usar imagem funcional para estabelecer uma forma de comunicação.
Este paciente foi enviado à Liège com o aviso de "vegetativo". Nós o colocamos em um scanner de ressonância magnética e observamos esta ativação ao fazer-lhe uma pergunta. Vocês podem ver a atividade em azul. É um cérebro muito danificado assim como se vê muito em negro.
A zona em negro é o fluido que ocupa todo lugar do cérebro. Em algumas partes fica muito pouco cérebro. Não se necessita muita quantidade de cérebro para estar consciente. Podemos usar isto com alguns truques: quando vemos azul é "não". Quando outras áreas se ativam em vermelho é "sim" e é "não". Só podemo-nos comunicar com estas novas tecnologias dando a alguns destes pacientes, isto é excepcionalmente seu direito a autonomia.
A terceira razão é que estas novas tecnologias de imagem nos permitem avaliar melhor as possibilidades de recuperação.
E portanto usamos. Eu gostaria de mostrar-lhes este pequeno objeto que é meu cérebro impresso em 3D: são as conexões do meu cérebro. Creio que é precioso (risos). Tomei o meu cérebro de reposição hoje.
Quando medimos isto em pacientes com trauma cerebral grave, ou causa um infarto, podemos usar esta informação para ver o resultado e tomar as decisões adequadas.
Quando não há opções de recuperação, ou quando deveríamos incrementar esforços. Isto é, supondo uma decisão importante de vida ou morte, onde estas medidas, creio, nos ajudarão no futuro. Em alguns o estudo do coma e condições associadas nos permitiu identificar as redes críticas do cérebro para estar alerta.
E tenho a esperança que com um esforço científico internacional integrado usaremos esta informação e continuaremos incrementando nosso entendimento do mistério da consciência e usando essa tecnologia para melhorar nossos cuidados a esses pacientes vulneráveis com desordens crônicas de consciência depois de um dano cerebral grave.
Obrigado pela sua atenção (aplausos).
Não estamos acostumados a ver alguém em cuidados intensivos, o coração batendo, estão quentes, respirando na máquina, e quando o cérebro está morto. Creio que é uma importante e extraordinária realidade clínica. Outra que eu gostaria de mencionar brevemente é a dos pacientes que se recuperam do coma.
Nos dirão, após passar por ele, que tiveram experiências extraordinárias: deixaram seu corpo, viram uma luz e seus familiares, se sentiram bem: experiências em torno da morte.
Novamente a ciência e a medicina têm ignorado esta realidade durante muito tempo. Tenho um pedido para quem já teve uma experiência a respeito da morte ou que saiba de alguém que já teve, por favor, entre em contato conosco, porque creio que a ciência deve estudar estes fenômenos cientificamente.
A terceira realidade clínica e extraordinária é na verdade esses pacientes que sobreviveram todo o coma acordados mas sem estar alerta. Estes pacientes chamados vegetativos - despertos, mas não respondem - onde com estes scanners do cérebro, como se pode observar, podemos mostrar que há uma atividade cerebral normal.

Somente em partes específicas do cérebro. Em outras palavras, não se necessita de todo o cérebro para estar alerta. Creio que é muito importante: ser capaz de identificar a rede neural crítica. Como se vê aqui é somente uma pequena região da consciência.

Se poderia dizer: "Por que isso é importante?" Na minha opinião, por 3 razões. A primeira, é importante se um paciente está completamente inconsciente ou se há algo de consciência. Por exemplo, no tratamento da dor.
De novo, podemos usar estas novas máquinas, novas ferramentas de imagem, para ver o que acontece no cérebro quando se sente dor. Não é um pequeno ponto. É uma rede, como se vê nestes cérebros transparentes:
Quando vemos a morte cerebral não há nenhuma atividade. Sem cérebro não há dor. Os pacientes que sobrevivem do coma desenvolvem essa estranha dissociação de estado vegetativo estando acordados, mas não alerta. Terão ativo o tronco cerebral. Está localizado no interior. É importante estar acordado.
E também se observa algo no seu córtex. Porém este é o córtex sensorial. É um sistema escravo. Está ilhado, desconectado da rede de alerta, assim não é suficiente para ter uma experiência consciente. Creio que é muito importante que observando estes pacientes com pequenos sinais de consciência - como seguir com a vista ou responder a uma ordem - a rede responsável da dor aparecia ativada.
Em outras palavras esses pacientes não podem comunicar que sentem dor, mas os scanners do cérebro mostram que deveríamos tratar-lhe a dor sistematicamente. Isto me leva ao seguinte problema importante, que é tentar dar voz a estes pacientes, tentando usar estas tecnologias para estabelecer uma comunicação.
Esta é uma imagem do primeiro paciente do mundo no qual pudemos usar imagem funcional para estabelecer uma forma de comunicação.
Este paciente foi enviado à Liège com o aviso de "vegetativo". Nós o colocamos em um scanner de ressonância magnética e observamos esta ativação ao fazer-lhe uma pergunta. Vocês podem ver a atividade em azul. É um cérebro muito danificado assim como se vê muito em negro.
A zona em negro é o fluido que ocupa todo lugar do cérebro. Em algumas partes fica muito pouco cérebro. Não se necessita muita quantidade de cérebro para estar consciente. Podemos usar isto com alguns truques: quando vemos azul é "não". Quando outras áreas se ativam em vermelho é "sim" e é "não". Só podemo-nos comunicar com estas novas tecnologias dando a alguns destes pacientes, isto é excepcionalmente seu direito a autonomia.
A terceira razão é que estas novas tecnologias de imagem nos permitem avaliar melhor as possibilidades de recuperação.
E portanto usamos. Eu gostaria de mostrar-lhes este pequeno objeto que é meu cérebro impresso em 3D: são as conexões do meu cérebro. Creio que é precioso (risos). Tomei o meu cérebro de reposição hoje.
Quando medimos isto em pacientes com trauma cerebral grave, ou causa um infarto, podemos usar esta informação para ver o resultado e tomar as decisões adequadas.
Quando não há opções de recuperação, ou quando deveríamos incrementar esforços. Isto é, supondo uma decisão importante de vida ou morte, onde estas medidas, creio, nos ajudarão no futuro. Em alguns o estudo do coma e condições associadas nos permitiu identificar as redes críticas do cérebro para estar alerta.
E tenho a esperança que com um esforço científico internacional integrado usaremos esta informação e continuaremos incrementando nosso entendimento do mistério da consciência e usando essa tecnologia para melhorar nossos cuidados a esses pacientes vulneráveis com desordens crônicas de consciência depois de um dano cerebral grave.
Obrigado pela sua atenção (aplausos).




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