CATULO CEARENSE

Catulo da Paixão Cearense foi um poeta, músico e compositor brasileiro. Quem não conhece a famosa música "Luar do Sertão"? De Catulo da Paixão Cearense? Ele era natural de São Luis do Maranhão, nascido em 8 de outubro de 1863 e falecido a 10 de maio de 1946. Deixou alguns livros publicados e inúmeras obras musicais. Seus versos são do estilo "caboclo sertanejo";
FRÔ DE MARACUJÁ
Apois antonce lhes conto
A h'storia que eu ouvi contá;
Pruque razão nasce roxa
a frô de maracujá
Maracujá já foi branco
eu posso inté lhe jurá
Mais branco que a coiada,
Mais branco do que o luá.
Quando a frô brotava nele
Lá pras banda do sertão,
maracujá parecia
um ninho de algodão.
Mas um dia, há muito tempo,
num mês que não me lembro,
Se foi maio, se foi junho,
se foi janeiro ou dezembro
Nosso Sinhô Jesus Cristo
foi condenado a morte
numa cruz crucificado,
longe daqui como quê
Havia junto da cruiz
aos pés de Nosso Sinhô
um pé de maracujá
carregadinho de frô
Pregaro Cristo a martelo
e ao ver tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pôs-se a chorá de tristeza.
Chorava a fonte dos campos,
chorava as foia, as ribeira;
Sabiá também chorava
nos gaio da laranjeira.
A lua na amplidão
haverá gente de vê-la
Pelos seus óio de neve
chorando em pranto de estrela.
E o sangue de Jesus Cristo,
sangue pisado de dô,
no pé de maracujá
Tingia todas as frô.
E foi por isso, seu moço,
que as frozinha ao pé da cruiz
Ficaram roxa tombém
como o sangue de Jesus.
Apois antonce, seu moço
foi assim que eu ouvi contá,
proquê razão nasce roxa
A FRÔ DE MARACUJÁ.
TROVALORIZANDO
Minha viola morena
é uma gaiola de pinho
Adonde canta e soluça
tudo quanto é passarinho
Num apanhe a fulô com a mão!!
Apare e depois seguindo
Leve a frô no pensamento
e o aroma no coração
Se eu matratasse a viola
ainda tinha duas mão.
Prá pedi perdão às corda
fazendo a minha oração.
Sá Dona, os cabelo dela
tinha o cheiro naturá
das pompa virge do mato
quando começa aninhá.
E o sabiá pulos gaio
da laranjeira serena
cantava cuma se fosse
uma viola de pena!
Toda viola foi arve,
que o machado derribou
Pru via disso ela canta
e de dos passo escutou.
Sem os dedo que nas corda
sabe gemê cum carinho,
Que seria da viola,
Gaiola sem passarinho.
Prus festejo de Jesus,
vinha saindo as estrela
como um bandão de frumiga,
um frumiguero de luz.
Tive sodade aqui dentro
da lua assertanejada
que parece uma tigela
toda cheia de quaiada!
Eu amo tanto a viola,
minha dô, minha alegria
como adoro, rezo e canto
a Santa Virge Maria!
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