J. G. de ARAUJO JORGE

José Guilherme de Araujo Jorge nasceu em 20 de maio de 1914 (Acre) e faleceu em 27 de janeiro de 1987 (Rio de Janeiro). Foi político e grande poeta brasileiro. Escreveu muitas e muitas poesias e poemas românticos. Era muito apreciado pela juventude da sua época, devido ao lirismo contido em seus trabalhos como poeta. Como político, foi deputado federal em 1970, pelo extinto Estado da Guanabara, e reelegendo-se pelo seu terceiro mandato em 1978.
Os versos que te dou
(J.G. de Araujo Jorge)
Ouve estes versos que te dou, eu os fiz
hoje, que sinto o coração contente...
Enquanto o teu amor for meu somente,
- eu farei versos... e serei feliz...
versos de sonho e amor, e hei de depois
relembrar o passado de nós dois,
este passado que começa agora...
Quando o tempo branquear os teus cabelos,
Vais um dia, mais tarde, revivê-los
nas lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los - com saudade, em tua cor
- hás de rever, chorando, o nosso amor...
e hás de lembrar, sofrendo, a quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido,
e outros versos quiseres, teu pedido
deixa ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá, novamente, então, tu fores,
podes colher do chão todas as flores
pois são versos de amor que ainda te dou!...
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Sofrer por sofrer
(J.G. de Araujo Jorge)
Parti. Quis te deixar abandonada
às lembranças do amor que nos prendeu;
trouxe comigo na alma torturada,
um ciúme atroz, ciumentamente meu...
Fugi... Fuga cruel, desesperada,
Quando supus que nosso amor morreu...
Fuga inútil, se ainda és minha amada,
se continuo inteiramente teu!
Não me livro desse amor nefasto,
nem essa angustia, dessa luta desse
ciúme que aumenta, quanto mais me afasto...
E hoje conclui, fugindo de meus passos,
Que sofrer por sofrer antes sofreste,
como sempre sofri... mas nos teus braços.
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Pausa
(J.G. de Araujo Jorge)
Tinha vontade de nesta curva, parar um pouco e te dizer:
vamos olhar para trás, vamos ver a paisagem que possuímos,
o caminho que fugiu de nossos pés,
e na pausa, retocar o quadro que parece se esvair
se não lhe dermos novas tintas com nossas lembranças.
Temos andado demais, desapercebidos de nós mesmos e de tudo,
e desprezamos as emoções que já encheram tantas horas, e uma sensação
de vazio nos vai tomando pelas mãos, e vai chegando ao coração como um hálito frio.
Vamos parar e conversar. Tenho certeza de que ao falarmos sobre nós mesmos
revolveremos o calor que permanece e reencontraremos o prazer
que nos tem abandonado, neste mundo tão cheio de gente
desnecessária e prejudicial ao nosso sonho.
Quem como nós tanto andou e de tão longe vem
repartindo o mesmo sonho
traz no coração o destino da eternidade.
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