PÁGINAS DA VIDA


Poesias

          Páginas da Vida.  Por que o título?  É porque vários temas aqui abordados, resultam de situações de uma certa forma vividas ou presenciadas, embora retratadas de forma sutil.  Outras criações no entanto, são meras fantasias, produto de conjecturas e filosofias sobre a Vida, observando suas nuances, e a forma com que se nos pode apresentar aos olhos, e ao coração.


PÁGINAS DA VIDA
(Guilherme Köhn)

Memoráveis páginas da vida,
que o destino escreveu;
apagadas e esquecidas,
guardo no peito meu.

Minhas páginas foram escritas,
com linhas retas ou não;
utilizando o papel da minha vida,
e a pena da ilusão.

Olho parqa traz e me espanto,
ante a longa estrada percorrida;
abraça-me a tristeza e o pranto,
lamento as horas perdidas.

É tempo! Ainda agora é tempo!
(Minha própria voz grita e censura);
de juntar as páginas com tempo,
e passar a limpo as rasuras.

Mas, fado triste é o meu passado;
o que resta, são estórias resumidas;
um livro roto e desfalcado,
encerrando minhas páginas da vida.
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FOTOGRAFIA
(Guilherme Köhn)

Um instante arrancado ao tempo;
lembrança de um quê, ou de quem,
lembrança de alguém,
que se quer muito bem.

Que eu guardo para o futuro,
lembrança de um passado, 
quase apagado,
porém vivo e marcado, 
no instante fotografado.

Foto que documenta um fato,
congela o tempo e nossa idade,
faz sorrir de verdade,
tanta felicidade,
ou faz chorar de verdade, 
tanta felicidade,
ou faz chorar de saudade.
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TATUAGEM
(Guilherme Köhn)

Nos traços de uma tatuagem,
figuras vivas que revelam;
uma forma de linguagem,
na mensagem onde falam;

Os jovens,
do seu mundo inusitado,
figurado, sem limitação;
figuras do inconsciente inexplorado,
brotando à pelo, em profusão.

Os velhos, 
seus corpos combalidos,
contam a estória enegrecida,
de segredos já vencidos,
tatuados na pele, na carne e na vida.

E hoje, 
nosso mundo é horizonte amplo,
sem valores estereotipados.
O homem, a mulher, o cura do templo,
todos comungam, em seus corpos tatuados.

Tatuagem,
não é modismo, não é movimento,
e não será qualquer imitação.
Será, o audaz comportamento,
do teu próprio coração
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               (Observação: este trabalho foi escrito em 01/08/83, para o tatuador
               Carlinhos, de Botafogo-RJ, amigo do Lucio de Palma)


ESCORPIÃO
(Guilherme Köhn)

Sou capaz!
Do maior ato de nobreza,
sou capaz do mais puro amor.
Mas sou também aquele que despreza,
capaz do mais hediondo rancor.

Sou um homem de contrastes,
sou homem de escorpião.
Que ressuscita muitas mortes,
que mata, com o veneno da paixão.

Meu espírito imponho,
sou muito orgulhoso.
Meu destino é um sonho, 
talvez caprichoso.

Ah, reconheço,
deste signo nativo;
meu defeito maior,
é ser vingativo.

Também no amor,
Sou difícil de entender;
infiel, sonhador,
de violentas paixões.

Porém um contraste, 
me vale milhões;
sou tenaz no trabalho, 
e honesto também.

Jamais me machuquem,
guardarei todo o mal;
o coração é meu cérebro,
meu veneno é fatal.

Corajoso ou covarde,
no seu ato extremo;
o Escorpião se fere,
com seu próprio veneno.

Assim é meu signo,
quase sem coração;
benévolo, maligno,
é a sina... do escorpião.
= = = = = = = = = = = =

                    





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