VERSIFICANDO


versos livres

          A versificação pode ser estudada tecnicamente como matéria da língua portuguesa, ou praticada livremente pelo simples prazer de versificar. É o meu caso. Eu sou aquilo que faço, e não importa que eu tenha 10, 20 50 ou 80 anos de idade.  Serei sempre uma espécie de secretário de mim mesmo.  Gosto de escrever, em verso ou em prosa. 


          Não sei pintar com um pincel, mas sei pintar com palavras. Aprecio também o que outras pessoas escrevem ou falam, e assim, penso que interagimos com nossos interesses hobbistas. 






VIDA DE SOLTEIRO
(Guilherme Köhn)

Se a vida de casado é boa, 
a de solteiro é melhor;
mas quando essa vida enjoa, 
se torna muito pior.

O solteiro hoje em dia, 
é moderno e diferente;
o amor não tem garantia,
não é como antigamente.

Vive morrendo o solteiro,
de amores a todo momento;
além de gastar dinheiro,
com muito divertimento.

Solteiro sem compromisso,
parece cachorro sem dono;
se manda, vai pro cortiço,
perdendo noites de sono.

Casado parece um relógio, 
tem que andar muito certinho;
e muito diferente, lógico, 
solteiro é ave sem ninho.

O solteiro se casa, feliz,
pelo amor enfeitiçado;
desculpando seu ato ele diz,
desta vida estou cansado.

Mas tudo isso não passa, 
de uma pura ilusão;
o casado também pensa, 
que caiu numa prisão.
  ...  /  ...
VIDA DE CASADO
(Guilherme Köhn)

Êta, vidinha danada,
essa, de homem casado;
é uma vida apertada,
sufoco por todo lado.

Pulo da cama bem cedo,
pois o batente me chama.
Tomo café, leite azedo,
sem acordar a madama.

Volto de noite pra casa,
fico a ver televisão...
Minha janta é uma sopa rasa,
com tomate e macarrão.

A mulher tá enjoada,
eu não sei o que ela quer;
faço tudo, não lhe agrada,
que diabo, essa mulher. 

Reclama da porcaria, 
da vida que a gente tem;
reclama da carestia,
e dos vizinhos também. 

Me distraio então na rua,
e a mulher fica naquela;
quando volto ela insinua,
que não ligo para ela. 

Eu já estou de saco cheio,
a mesmice, o dia a dia;
ainda descubro um meio,
de ganhar na loteria.

Querida, vamos dormir,
contigo não quero brigar;
é só a gente insistir,
que a vida vai melhorar.
             ... / ...

FIM  DE  SEMANA
(Guilherme Köhn)

Na pracinha da cidade,
num chato fim de semana;
a gente vai com vontade, 
de achar um broto bacana.

          Terminou a reza na igreja,
          dispensando a mulherada;
          e para que todas me vejam,
          fico em pé na calçada.

Começa o desfile de moda,
que gira no largo da Praça;
lembrando a ciranda de roda,
cada menina que passa.

          Aquela gata charmosa, 
          vejam só como rebola;
          e outra gatinha dengosa,
          que também não me dá bola. 

desfilam nessa pracinha,
pretas, louras e morenas;
porém, nenhuma gatinha,
descobriu-me ainda, que pena.

          E tarde já vai ficando
          não dá mais pra paquerar;
          deixo a praça minguando,
          e afogo as mágoas num bar.

É mais um fim de semana,
é sempre a mesma rotina;
uma rapaziada sem grana, 
na praça olhando as meninas.
              ...  /  ...

CORAÇÃO DE HOMEM
(Guilherme Köhn)

O que vai no coração,
do homem eu posso dizer;
parece uma lotação,
onde só cabe mulher.

E sempre cabe mais uma
mesmo sem desodorante;
um cantinho sempre arruma,
para sua nova amante.

Coração, sempre lotado,
o homem vive a sofrer;
está sempre apaixonado,
procurando outra mulher.

Milhões de mulheres cabem,
nesse imenso coração;
e as mulheres nada sabem,
dentro desse caminhão.

No coração desse homem,
mulheres bonitas ou feias;
a que mais lhe agrada porém,
é sempre a mulher alheia.

E claro, será bem vinda, 
outra linda moreninha;
mas não decidiu ainda, 
se a morena ou a loirinha. 

E quando forma casal,
esse homem mulherengo;
sua mulher afinal,
é um tremendo monstrengo. 
...  /  ...

MULHER BONITA, MULHER FEIA
(Guilherme Köhn)

Mulher bonita é um colírio,
faz um bem, pros olhos meus;
é um gostoso delírio, 
sonhar com os dotes seus..

Eu detesto mulher feia, 
por elas não tenho paixão;
gorda, parece baleia,
magra, parece canhão.

Eu não me importo se ela,
me chama de troglodita;
só de estar perto dela,
dá gosto a mulher bonita.

Mulher feia é um desarranjo,
depois daquela ressaca;
não quero uma cara de anjo, 
não quero também uma vaca.

Elegante, bonita e graciosa,
muito mais, eu posso dizer;
canto em verso, canto em prosa,
a beleza da mulher.

Xô, urubu!  Ave de rapina!
Mulher feia é caricatura;
e se tem a perna fina,
parece uma saracura.

Não bastam às afroditas,
tantas palavras e exemplos;
Deus salve as mulheres bonitas,
e as feias... se tiver tempo.
              ...  /  ...
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