LINGUAGEM FIGURADA


Figuras de linguagem

          Neste trabalho, o leitor notará que fazemos uso constante de uma Linguagem Figurada, que é parte integrante da nossa gramática da Lingua Portuguesa.  A linguagem não pode ter verdadeira expressão de beleza, despida dessas "figuras", ou adornos, e uma composição qualquer, não pode chamar-se "literária", sem que nela se apresente uma comparação, ou se construa uma imagem sequer.


Quando se diz: "Ele é forte como um touro", não se faz outra coisa, senão uma comparação;  quando se diz: "A velhice é o inverno da existência", está empregando-se uma imagem.  Estas comparações e imagens, recebem denominações especiais.  As principais Figuras de Linguagem, são:

METÁFORA - mudança no sentido próprio de uma palavra para outro com que tenha semelhança. Exemplo:"A luz do saber"  -  "Páginas da Vida"  -  "Estradas da Vida"  -  Teatro da Vida",  etc.

ALEGORIA  -  sucessão de metáforas:  "O livro caindo na alma / é germe que faz a palma / é chuva que faz o mar"

CATACRESE  -  emprego forçado de uma palavra a uma ideia para cuja expressão falta um termo próprio.  Exemplo:  perna da mesa  -  leito do rio  -  etc.

METONÍMIA  -  figura que consiste em alterar o sentido natural das palavras, designando o todo pela parte, o abstrato pelo concreto, a causa pelo efeito, o continente pelo conteúdo, etc.  Exemplos:  o homem erra (a humanidade)  -  a igreja falou (as autoridades eclesiásticas)  -  bebeu uma taça de vinho (o vinho da taça),  etc.

(Observação: estas ilustrações escritas acima, são reminiscências das aulas do Padre Joaquim Soares, no Ginásio São Miguel, em Passa Quatro-MG.  Sinto ter perdido ou esquecido de grande parte desses ensinamentos).

TORMENTO
(Guilherme Köhn)

Passam-se os anos por sobre a terra,
deixando marcas pelo chão da vida.
E do amor, nesta voluntária guerra,
para sempre ficou, minh'alma ferida.

Um dia, olhos cheios de ternura,
você tão meiga, assim me apareceu;
trazendo na sua alma ingênua e pura, 
um sincero amor, que era só meu. 

Nosso idílio começou, bonito e feliz,
sonhando ardorosos beijos de amor.
E você era linda, como eu sempre quis.
Os seus cabelos, eram cheios de calor.

Felizes demais, nesse mágico encantamento,
o destino porém, fatalmente chegou;
trouxe consigo um céu nevoento,
e o castelo de sonhos então desabou.

O mesmo destino que nos prometera alegria,
nos separava agora, em rumos adversos;
mas foi, pelo meu ato de rebeldia,
que meus rumos tornaram-se perversos.

Segui caminhos, descaminhos desta vida,
sem jamais encontrar tão puro e divino,
outro amor igual, ao que na minha partida,
deixei que seguisse, também o seu destino.

Hoje arrependido, reconheço minha culpa;
mas tudo na vida, afinal tem o seu preço,
a moeda falsa, por pouco tempo circula.
Sofro agora, mas sofro porque mereço.

Agora, a cultuar a tua lembrança,
o meu ser, de esperanças se alimenta.
Minha fé, porém já não te alcança;
Onde estará você, minha doce tormenta...
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